NATAL: Pet não é presente

Dar animais de presente pode ser uma maneira de criar um problema para a cidade e para a vida que foi tratada como um objeto presenteável. Ninguém sabe dizer o número certo, mas é fato que depois de festas tradicionais como Páscoa e Natal, aumenta muito o número de animais abandonados nas clínicas, parques, ruas e abrigos. O mesmo acontece em todo o mundo: segundo a WSPA (Sociedade Mundial de Proteção Animal), mais da metade dos coelhos, cães e gatos adquiridos nesses períodos são bandonados.
Em São Paulo são 25 mil cães e gatos recolhidos anualmente pelo Serviço de Controle de Zoonoses, dos quais apenas 1.200 conseguem um novo lar.
Pressionados pelas crianças muitos pais adquirem filhotes para dar de presente. Têm a esperança de que os animais ensinarão aos filhos a ter mais responsabilidades, afinal, o compromisso é sempre de que a criança vai incumbir-se de cuidar do animalzinho. A rotina do dia a dia, entretanto é diferente. Nem sempre a criança desempenha bem as tarefas, o filhote rói móveis e roupas, suja o tapete da sala e chora no meio da noite. Irritados, pais e mães logo se vêem na compulsão de “livrar-se do intruso”.
Os motivos para o abandono são vários: viagem de férias e ninguém para abrigar o animal, desistência do “brinquedo”, o trabalho gerado pelo animal, uma eventual deficiência física ou doença, problema de comportamento e outros.
A primeira tentativa é de passar o problema para frente. Querem doar para o avô, o tio que tem chácara, o porteiro do prédio e, diante da total impossibilidade optam pelo abandono.
É sempre o mesmo artifício: à noite abandonam nas portas de faculdades ou de hospitais veterinários, nas clínicas, nos parques municipais ao amanhecer, ou mesmo à plena luz do sol, nas feiras e parques da cidade. Cometendo um crime ambiental federal e principalmente um crime contra a vida do animal.
A maioria dos veterinários têm histórias para contar de ninhadas inteiras abandonadas na porta da clínica, o cãozinho com coleira preso na maçaneta, ou simplesmente largado no interior dos parques. Os cães, mesmo filhotes, tendem a seguir seus tutores (muitos acabam atropelados), o que já não acontece com os gatos. São esses últimos que infestam os parques. Abandonados, os gatos crescem, procriam, definham, sofrem e aumentam o problema de superpopulação.

VIDA NÃO É BRINQUEDO, ANIMAL NÃO É PRESENTE!
A solução é a sociedade aderir à guarda responsável. Antes de adotar o animal, tem que conhecer suas necessidades, suas exigências e avaliar se vale realmente a pena ter o bicho ou não. Só depois de refletir com toda a família, analisando todos os aspectos da vida em comum, ir à busca do animal e, se for o caso, realizar a sua castração para evitar problemas futuros. Assim, como não se dá um bebê para alguém, também não se deve dar um animal de presente sem consultar a pessoa. Cuidar de um animal deve ser decisão da pessoa ou da família (no caso de uma criança), porque implica em responsabilidades prolongadas, além de gastos financeiros.
A decisão de ter a guarda de um animal é muito séria. Não pode ser tomada por terceiros. A guarda responsável de um animal é um dever seu e um direito do animal.
Dar um animal de presente fará o mesmo correr o risco de ser maltratado, negligenciado e abandonado.

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